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Alegria para poucos: Atlético-MG, Palmeiras e Flamengo concentram os principais títulos nos últimos três anos

Por Marcos Duarte em 16/12/2021 às 14:50:44
No âmbito brasileiro ou continental, os clubes faturaram praticamente todas as taças importantes desde 2019. O Atlético-MG fez bem mais do que se esperava na cerimônia de formatura em que havia se transformado a segunda decisão da Copa do Brasil após a goleada na primeira partida. Com elástico placar sobre o quase homônimo paranaense, sacramentou sua hegemonia no futebol brasileiro nessa temporada. Agora, compartilha com Flamengo e Palmeiras o diminuto oligopólio que levanta as taças mais importantes, e não apenas no Brasil.

O dinheiro não apenas traz felicidade, mas proporciona uma espécie bem específica de felicidade: aquela que é deflagrada pelos troféus que se erguem aos céus. Nos últimos três anos, apenas três clubes brasileiros, justamente os que têm mais grana, puderam desfrutar desse luxo da existência, e o fizeram sempre em dose dupla, curando a ressaca da comemoração com outras taças, como fazem os ricos.

Senão, vejamos: em 2019, o Flamengo venceu a Libertadores e o Brasileiro; em 2020, o Palmeiras ergueu a Libertadores e a Copa do Brasil; em 2021, o Atlético-MG garantiu o Brasileiro e a Copa do Brasil (repetindo o feito do rival Cruzeiro, em 2003, até ontem o único a ter conseguido vencer as duas competições no mesmo ano). Nunca houve tamanha concentração de felicidade em tão poucas mãos (e arquibancadas) do futebol brasileiro como nessa última trinca de anos. Sem contar que o Flamengo ainda se consagrou campeão brasileiro em 2020 e o Palmeiras é o atual campeão continental.

Para as torcidas vencedoras, isso resulta apenas, além das batatas de Quincas Borba, em pensamentos delirantes e noites alegremente insones. Assim é, e assim será, enquanto houver campeonatos. No entanto, para os outros, a base da pirâmide, e inclusive para o próprio futebol brasileiro, deveria disparar alguns sinais de alerta. Em breve, talvez o único fator que nos separe da "espanholização" seja o fato de que aqui ainda são três -- e nenhum parece disposto a se vestir de Atlético de Madrid. Nós, os outros, viveremos de campanhas briosas, e alguns, como o Grêmio, vão brincar com os conceitos da gravidade, despencando do topo do continente diretamente aos vestiários do Estádio do Café.

É claro que dinheiro, sem competência, se transforma em capim, mas não existe planejamento ou projeto capaz de fazer frente à capacidade de investimento dos que andam concentrando as taças. Aqueles que ainda conseguirem competir podem fazê-lo apenas com todas as cordas esticadas, também as redes e talvez os próprios bigodes -- gestão, algum trocado no bolso, certo juízo e doze colheres de Biotônico Fontoura três vezes ao dia. Porque a disparidade financeira é impactante. Dessa forma, não foi em vão a manifestação de apoios dos rubro-negros do Paraná ao fim da partida, mesmo com nova derrota. Afinal de contas, tratava-se da quarta final que o clube alcançava nos últimos quatro anos, no âmbito brasileiro ou continental, e a primeira perdida -- antes, houve os títulos da Sul-Americana 2018 e 2021 e da Copa do Brasil 2019. Para a maioria, grandes ou ascendentes, a partir de agora cada título deve ser comemorado como a passagem do Cometa Halley.

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Fonte: Globo Esporte

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