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Os novos ares pretendidos por Edenilson, o homem que esteve a meio metro do paraíso

Por Marcos Duarte em 11/01/2022 às 21:50:23
Em cinco anos de Beira-Rio, o volante que está na mira do Atlético-MG teve fases espetaculares e quase fez os colorados totalmente felizes. Há uma certa beleza trágica na trajetória daqueles personagens que ameaçam fazer história, mas por algumas circunstâncias, bastante específicas, acabam não conseguindo escrevê-la de próprio punho -- epopeias que por vezes o VAR transforma em amarga rotina. No caso de Edenilson com a camisa colorada, as circunstâncias couberam com exatidão em algumas dezenas de centímetros, no famigerado e inesquecível impedimento contra o Corinthians, ao mesmo tempo ápice e anticlímax da sequência de eventos sucedidos naquele 25 de fevereiro de 2020.

Aquele meio metro impediu que a jornada do volante no Beira-Rio tivesse um desfecho redentor. Afinal de contas, o porto-alegrense de 32 anos chegou ainda em 2017 para disputar os perrengues amargos da Série B e tornou-se o principal nome da equipe na ascensão à elite e nos anos seguintes. Nessas cinco temporadas, Edenilson mostrou-se um jogador valioso, aquele que abria os caminhos, ditava o ritmo da equipe e buscava ser protagonista nos momentos decisivos -- seu maior equívoco, eis o paradoxo, foi justamente estar um passo à frente no momento mais decisivo de todos.

Escolhido para a seleção do Campeonato Brasileiro nos últimos dois anos, naturalmente Edenilson entrou na mira do atual campeão -- meio metro e alguns milhões agora parecem separar de integrar um dos elencos mais fortes do continente. Deixaria o clube em que durante uma fração de segundo, entre uma rede que balança e uma bandeira que levanta, foi responsável por quebrar um tabu de 41 anos para chegar em outro recém liberto, este de fato, de meio século de jejum.

Mesmo com mais de trinta primaveras, o volante teria muito a contribuir para a esquadra atleticana, especialmente se o estilo de jogo for semelhante ao adotado na última temporada -- Edenilson é mestre em transições rápidas e meteóricas infiltrações pelas frestas de defesas desavisadas. A preferência pelo Atlético-MG também é uma opção inteligente: atuar por um clube que disputa todos os títulos aumenta as chances de continuar presente no radar de Tite, justamente quando a Copa do Mundo já surge no horizonte. As portas do paraíso se fecharam sob a sombra da mandíbula de Cássio, mas viajar ao Catar ainda é uma possibilidade.

Caso o negócio se confirme, nas margens do Guaíba o intrépido meio-campista deixará honesta saudade e uma imperiosa sensação de "quase". Algumas vezes, nesses cinco anos, quase fomos totalmente felizes -- uma Copa do Brasil que escapou, uma libertação que virou farelo no Brasileiro. Em termos técnicos, Edenilson ainda teria muito a contribuir (e os atleticanos logo vão perceber), mas o desgaste do tempo (de um tempo sem títulos, especialmente) é sempre implacável. Assim como muitos dos que se candidataram ao protagonismo nos últimos anos, vai compor algum verbete na versão alternativa da Enciclopédia Colorada, aquela reservada aos que chegaram a limpar os pés para entrar na história pela porta da frente, mas perceberam que às vezes meio metro se transforma em uma distância intransponível.

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Fonte: Globo Esporte

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